Sábado, 25 de marzo de 2017|

3 visitas ahora

 

II Festival do Filme Anarquista e Punk de Sao Paulo (Brasil)

II Festival do Filme Anarquista e Punk de Sao Paulo del 13 al 15 de Diciembre

Rua Doctor Almeida de Lima, 434. Sao Paulo.

Programación

Página electrónica de Anarco Punk


“A programação deste ano está com mais de 30 filmes”

Entrevista com xs organizadorxs do Festival do Filme Anarquista e Punk de São Paulo. A 2ª edição da mostra acontece de 13 a 15 de dezembro, no Centro Anarquista Ação Direta, na capital.

Agência de Notícias Anarquistas > O que a levou inicialmente a ter a ideia para organizar este tipo de Festival?

Resposta < O uso do audiovisual como ferramenta entre companheirxs punks e anarquistas tem crescido muito nos últimos anos, tanto pelo barateamento de equipamentos, quanto pela importância que se tem dado cada vez mais a esse meio como uma forma de expressão artística/cultural/política, disseminação de ideias, divulgação de lutas e questões sociais, e por aí vai. Aqui em São Paulo não tem sido diferente, e nos últimos anos estivemos nos envolvendo em produções desse tipo, fazendo documentários, curtas, videoclipes, cineclubes, sessões de filme-debate, etc. Um dos pontos favoráveis para iniciarmos esse trabalho também foi ter contato com diversos grupos e pessoas que produzem materiais audiovisuais, e, ao mesmo tempo, perceber a falta de espaço para esses filmes por conta dos temas explorados ou simplesmente pelo baixo custo em suas produções. Então a ideia de organizar o Festival aqui foi uma junção de todos esses fatores, unidos ainda com a inspiração em festivais de filme aarquista que acontecem em outras partes do mundo.

ANA > E qual foi o balanço da primeira edição do Festival, no ano passado? Foi boa a aderência de público?

Resposta < A gente ficou muito contente com a primeira edição, tanto pela quantidade de inscrições, quanto pela quantidade de pessoas presentes e apoiadorxs. A relação com xs companheirxs do Centro Anarquista Ação Direta (CAAD), que cederam o espaço para o evento, também foi de muito apoio, confiança e autonomia, o que criou um clima muito bom para seguir adiante. Tínhamos uma preocupação grande com a questão dos horários para que desse tempo de passar tantos filmes em apenas três dias. Nesse sentido deu tudo muito certo também, com tudo começando e terminando como planejado.

O que as vezes se tornou ruim foi que a existência de duas salas de projeção simultânea fazia com que em alguns momentos as pessoas ficassem “divididas” sobre qual filme ver, e assim algumas sessões foram muito lotadas em uma sala, e esvaziadas na outra. A chuva atrapalhou um pouco em alguns momentos, mas nossa avaliação geral foi bem positiva e saímos daqueles três dias com muito ânimo para mais edições do Festival.

ANA > E qual é a grande característica do Festival deste ano?

Resposta < O Festival deste ano segue o mesmo caminho que iniciamos no ano passado, com a proposta de manter sua realização anualmente. Uma novidade este ano são as sessões temáticas, que reúnem curtas e longas com temas próximos em uma única sessão. Então vamos ter uma sessão temática sobre questão indígena, outra sobre feminismo negro e combate à lesbofobia, outra sobre as manifestações atuais no Brasil, e assim por diante.

ANA > Que filmes vocês destacariam nesta edição do Festival?

Resposta < De filmes inéditos, este ano vamos fazer a estreia no Brasil do documentário “4F – Nem Esquecimento, Nem Perdão”, que saiu recentemente na Espanha e fala de uma forma bem profunda deste caso de montagem policial que ficou conhecido como 4F. É um documentário muito denso e que trás vários aspectos da política estatal/policial de criminalização do protesto social que tem ocorrido no mundo inteiro.

Também vai estrear, durante uma sessão de filme-debate sobre as atuais manifestações no Brasil, o curta “Anarcovândalos em Townsville”, uma sátira a determinados aspectos deste período, produzido por companheirxs da Biblioteca Terra Livre.

Outra produção recente é o documentário “Squat Pantano Revida – O Filme”, que fala um pouco das experiências, vivências e histórias do squat Pantano Revida, situado em Aracruz (ES), que resistiu durante quatro anos com muitas atividades e pessoas envolvidas, e sofreu reintegração de posse em agosto deste ano.

Também recebemos documentários interessantes sobre as cenas punks e fanzineiras em Tucumán/Argentina, na Colômbia, e outras produções de companheirxs de localidades próximas.

Bom, a programação deste ano está com mais de 30 filmes, e acho que cada um tem diversas coisas que poderíamos destacar!

ANA > Como é o processo de seleção dos filmes? É complicado encontrar produções inéditas e "marcadamente" libertárias para passar no Festival?

Resposta < Nestas duas edições do Festival abrimos inscrições alguns meses antes para que as pessoas e grupos interessados pudessem enviar suas produções – que poderiam ter temáticas e gêneros diversos, desde que relacionados de alguma forma com as tantas questões libertárias e reivindicações das lutas sociais a que historicamente o anarquismo esteve ligado, e também à cultura punk e suas múltiplas expressões. Desde a primeira edição ficamos surpresxs e muito contentes com a quantidade enorme de inscrições vindas de diversas partes, principalmente do Brasil e América Latina, mas também outros lugares do mundo. Isso nos fez conhecer diversos projetos libertários de produção audiovisual com os quais não tínhamos contato antes, o que foi muito motivador. A quantidade de inscrições superou nossas expectativas, e para que pudéssemos ao máximo incluir as produções de todxs xs proponentes, estruturamos o Festival para que tivesse três dias de duração, com duas salas de exibição simultâneas. Ainda incluímos alguns documentários recentes que consideramos interessantes, procurando traduzir e legendar estes filmes para também fazer lançamentos e estreias durante o evento.

No decorrer deste ano, um novo período de inscrições e o que foi interessante é que a maior parte dxs proponentes que irão exibir filmes nesta edição não havia entrado em contato no ano passado, o que faz com que o Festival não se restrinja a apenas alguns grupos produtores de vídeo. E mesmo com o fim do prazo de inscrição, continuaram chegando e-mails com novos filmes, mesmo agora no início de dezembro – o que já nos dá ideias para a programação do ano que vem.

Enfim, para nossa surpresa, ao invés de nos depararmos com dificuldades para encontrar produções audiovisuais libertárias recentes, demos de cara com o crescente uso dessa ferramenta por companheirxs do mundo todo como meio de divulgação da luta e propagação de ideias e questionamentos, e, assim, com uma grande quantidade de produções que a cada ano vão se renovando.

ANA > Quais são as atrações além do cinema no Festival?

Resposta < Uma das marcas do Festival é justamente tentar priorizar a existência de debates temáticos junto a grade de atividades, também com frequência dxs produtorxs dos próprios filmes exibidos, e companheirxs libertárixs que possam contribuir de alguma forma com as discussões e compartilhar experiências. Além disso temos buscado reunir exposições de fotografias, desenhos e cartazes, realização de oficinas, sarau poético, e esse ano também teremos uma apresentação musical e outra teatral. Também sempre nos preocupamos em manter no local espaço para exposição de livros e materiais anarquistas, comida vegana e outras produções.

ANA > É uma correria organizar o Festival?

Resposta < Entre o processo de abrir inscrições até o dia do evento passamos semanas e semanas em contato com xs grupos, legendando e traduzindo, organizando a programação, produzindo material de divulgação e catálogo dos filmes, e por aí vai.

Esse ano além da Imprensa Marginal/Anarco-Filmes e da Do Morro Produções também temos a ajuda de mais companheirxs. É muita correria, mas vale a pena.